Entra e sai da Croácia e Bósnia – Depois seguindo para Mostar!

Hoje (26/09/18), a palavra “depende” fez todo o sentido, pois desde cedo a guia nos explicava que o dia dependeria das fronteiras. O vento Bura se acalmara, mas, agora, seriam as fronteiras. Isso porque hoje entraríamos na Bósnia-Herzegovina para ir a Mostar, voltaríamos para a Croácia, entraríamos novamente na Bósnia e voltaríamos novamente na Croácia para ir a Dubrovnik. Achou estranho? Põe no google maps para ver como é. É UMA CONFUSÃO NA CABEÇA DA GENTE! Para fazer 306 KM é preciso entrar e sair 2 vezes de cada país. Essa logística de entradas e fronteiras é o resultado da divisão dos países após a Guerra da Iugoslávia. Como estamos fora da alta temporada de turistas, as fronteiras estavam relativamente vazias. Desta forma, sobrou tempo para incluirmos mais uma visita na Bósnia: a cidade de Medjugorje.

MEDJUGORJE – E A PEREGRINAÇÃO CRISTÃ

Basílica de Medjugorje

Começamos por falar de Medjugorje, que foi uma surpresa para mim, pois não a conhecia, nem sabia de sua importância. Em 1981, seis meninos viram a Virgem Maria na região e, de lá para cá, foi construída essa Basílica, que hoje é um dos principais centros de peregrinação da Europa. É diferente de Fátima, Lourdes e outras da Europa ocidental, pois aqui dizem que a virgem concede milagres a pessoas com depressão e também a jovens.  Confesso que não sou muito religioso, por isso não me tocou muito a cidade, mas me chamou a atenção ver americanos jovens e velhos tão longe de casa, e principalmente japoneses, ali, fazendo sua peregrinação. Existem poucos japoneses cristãos, por isso, ver uma missa cristã ser celebrada em japonês é bem estranho! A Basílica é simples e nada ostentadora. Visita e pedidos à virgem feitos, seguimos rumo à Mostar.

MOSTAR – VESTÍGIOS DA GUERRA

Marcas de tiros e bombas pela guerra de independência na década de 1990

Mostar, que já foi uma cidade bem importante da ex-Iugoslávia e que possuía uma indústria de alumínio de destaque nas décadas de 1970/1980, foi muito destruída e atacada na guerra da década de 1990. Sua população, de maioria muçulmana, decorrente de anos e anos de dominação otomana, foi muito sacrificada. A cidade até hoje mostra suas feridas e marcas de tiro. Entretanto, o mundo não ficou de olhos fechados. Houve muita ajuda na reconstrução da cidade, que hoje vive quase que exclusivamente do turismo. E, vale a pena visitá-la para os que têm mais tempo. O centro histórico bem reconstruído é muito legal.

As casas, os bazares, os restaurantes, as pechinchas e barganhas de preço; tudo faz com que a gente se transporte para uma cidade do oriente médio, mas “OPA, ESTAMOS NA EUROPA?!” Isso é o legal desta cidade. Se escuta a hora de ir à mesquita e tudo. Mulheres de véu, não de burca. Mas, cuidado, avisa a guia, ciganas e batedores de carteia por todo o lado. Caminhei por tudo para tirar a foto de melhor ângulo da ponte, e, é claro, o melhor lugar na torre da Mesquita por EUR 6,00, bem barato pelo que oferece.

PONTE DE MOSTAR

Cem degraus por uma escadinha bem fininha e voilá: A PONTE DE MOSTAR! BELA E IMPRESSIONANTE! O rio é limpo e com um azul fenomenal. Além da ponte, visitei uma casa construída na década de 1680, que hoje é um museu, e podemos ver como os cidadãos viviam na época. Sobre a comida, é como se estivéssemos em Istambul. Tudo igual. Caro? Não, é MAIS BARATO QUE A CROÁCIA e os bazares e lojinhas têm de tudo, de bons artesanatos até quinquilharias chinesas. Às 15h saímos rumo a Dubrovnik, a grande joia da coroa croata.

STARI MOST, em bósnio “Ponte Velha”, é uma ponte do século XVI na cidade de Mostar, Bósnia e Herzegovina, que cruza o rio Neretva e liga as duas partes da cidade. A Ponte Velha permaneceu firme por 427 anos, até ser destruída em 9 de novembro de 1993, na Guerra da Bósnia. Logo depois, um projeto foi feito a fim de reconstruí-la, sendo a ponte reaberta em 23 de julho de 2004. Diz a lenda que quando a ponte caiu, as pedras sangraram, fazendo o rio ficar vermelho. Por isso, a ponte virou um dos símbolos da Guerra.

Centro antigo da cidade

DUBROVNIK – CHEGAMOS…

Chegamos na região de Dubrovnik, e resolvi me hospedar em um hotel para curtir a praia, e desta forma estou a 30 Km da cidade amuralhada. O hotel fica em uma baía privada e de praia exclusiva. Chegar e ver o mar na nossa frente, limpo, transparente e de uma azul único: não deu para resistir. Check in, sunga e um bom mergulho para lavar a alma e curtir a vida. A água de 22 graus fez a tarefa facial frente a um sol de 18 graus. A água é bem salgada e boiar é fácil. Dois metros para dentro já estava com 5 metros de profundidade, e se vê tudo lá em baixo como estivesse a 1 metro. Os peixes nadam ao redor da gente, e em certos momentos, eles ficam passando pelas nossas pernas como fossem gatos. Meu filho, que é metido a pescador, iria adorar estar aqui, mas isso ficará para a próxima.

Bom, amanhã o dia começa às 08h30 e Dubrovnik, a cidade amuralhada, é o meu destino. Até lá!

 

Um dia lindo para ver Sibenik, Trogir e Split!

Com o Mar Adriático e um sol fantástico visto da minha janela, começamos o dia rumo ao sul pela Costa Dálmata* para chegarmos a Split. Os dias vêm ficando cada vez melhores! A viagem de Zagreb a Dubrovnik vai em um crescer excepcional. O único que parece não crescer nem diminuir, mantendo-se fiel a nossa viagem, é o vento Bura, que hoje soprou todo o dia. Mas, sinceramente, com o céu completamente limpo graças a ele, e com o sol, o vento fica como um detalhe pífio.

Bom, check-out feito e malas prontas, embarcamos rumo a Sibenik, que fica a 90 KM, aproximadamente 1 hora. A paisagem vai se descortinando à medida que avançamos rumo ao sul. Pelo caminho passamos por várias marinas, enseadas, pequenas baías, ilhas e ilhotas.

SIBENIK  – UMA CIDADE DE BELEZA MEDIEVAL

Chegamos em Sibenik – a primeira cidade, nesta costa, genuinamente fundada por croatas, pois as demais têm origens gregas ou romanas. Nela, podemos apreciar um belíssimo porto natural, guarnecido por um parque de ilhas inabitadas chamado Parque Nacional de Kornati.

A cidade ainda se destaca por ser a primeira da microrregião chamada de Kastela, pois abriga 7 castelos/fortalezas das cidades costeiras que se espalham pela costa, até chegarmos a Split.

Por ser uma cidade cujas origens remontam ao ano de 1066 de nossa era, ela preserva, de forma exemplar, seu centro histórico medieval. Pequenas e finas ruas de pedras cinzas e de tetos de telhas vermelhas compõem um labirinto de escadas, portas e janelas, que pouco a pouco, à medida que o dia ganha força, vão se transformando em lojas, bares, restaurantes e comércio de uso do dia a dia, como cabeleireiros, mini-mercados, etc.

Pequenos alunos da escola do centro se preparando para uma apresentação.

Essa mistura de comércio é a prova de que o centro da cidade é vivo e não só uma atração turística, pois vemos os moradores locais caminharem entre nós, inclusive com apresentações infantis** da escola que fica dentro do centro.

Ali, também me chamou a atenção os gatos (e não só nesta cidade, como nas demais que visitei nesse dia). São milhares deles! Diz a guia que foram introduzidos para conter a peste negra na idade média e foram ficando. Hoje, os habitantes os mantêm pois são mais fáceis do que ter cachorros. Opiniões à parte, o dia seguiu seu rumo saindo de Sibenik para Trogir, através da Estrada Majestral.

ESTRADA MAJESTRAL – AS CORES DO MAR SÃO SUBLIMES

Ao invés de irmos pela estrada convencional, como estamos fora da temporada alta de veraneio (julho e agosto), fizemos o trajeto mais longo, mas infinitamente mais bonito! Fomos literalmente margeando cada curva e cada enseada do litoral através da estrada majestral. Normalmente, as pessoas fazem pela estrada nacional, mais rápida e direta.

Da estrada é possível ver as pedras no fundo do mar!

Ter feito o percurso pela Estrada Majestral foi um presente para os olhos, pois as diferentes cores do mar são sublimes. Um verde turquesa misturado com azul escuro. Simplesmente demais. Sem contar que a água é MUITO LIMPA!

PRIMOSTEN – CIDADE QUE PARECE SER FEITA A MÃO

Nesse trajeto, a mais ou menos 30 minutos, fica a pequena cidade de Primosten, uma ilha ligada ao continente por uma ponte. A cidade parece feita à mão. Do alto da igreja, a cidade vai descendo até o mar. Do porto da foto acima saem os principais veleiros para as ilhas de luxo da região, onde os famosos do mundo passam seus verões em total discrição. De uma breve parada para fotos, seguimos a Trogrid, a cidade museu, também chamada de pequena Dubrovnik ou a Dubrovnik escondida.

TROGIR – UM PEQUENO TESOURO

Conectada por uma pequena ponte de pedra, esta cidade amuralhada e com um castelo/fortaleza na extremidade oeste é um pequeno tesouro. Uma joia, pois guarda no seu interior ruas e casas que nos transportam a era da República de Veneza.

Sua muralha, suas igrejas e praças me fizeram lembrar da atmosfera de Cartagena, na Colômbia, pelos bares, restaurantes, caminhadas calmas onde a cada esquina você vê ou uma muralha ou uma fachada interessante.

Se diz que é a pequena Dubrovnik ou a Dubrovnik escondida pois é um patrimônio da humanidade tombada pela Unesco, e está tão bem preservada como, mas recebe menos turistas, o que faz dela uma cidade tão atraente quanto uma opção mais barata.

Bom de Preço! Almocei um prato de massa com frutos do mar acompanhado de um caneco de 500 ml de cerveja por EUR 13,00.

SPLIT – A CIDADE DE MUITAS ARQUITETURAS!

Essa cidade em resumo: DEMAIS! Muito alegre, muito cheia de vida e única no mundo, pois em nenhum outro lugar poderemos ver, em tão pequeno espaço, tantas arquiteturas diferentes.

A cidade nasceu de dentro de um antigo Palácio do Imperador romano chamado Diocleciano. que o construiu aqui em 240 d.C., para que quando ele se “aposentasse” viesse para cá, região onde nasceu, para descansar e curar seu reumatismo. Com sua morte, o fim do império Romano do Ocidente e as invasões bárbaras, a população local invadiu as ruínas e construiu dentro do palácio uma cidade.

O único e espetacular é que só aqui podemos encontrar prédios de arquitetura grega, arquitetura romana, arquitetura veneziana, arquitetura barroca e arquitetura socialista. Foi aqui que encontrei os vestígios de todas as civilizações e impérios que passaram por este lugar, tudo em um único local maravilhosamente preservado.

Aqui os bares e restaurantes são mais requintados, sofisticados, mais alegres e enchem os olhos.

A cidade com certeza entrou para a lista das minhas preferidas, como Istambul, Samarcanda, Londres, Cairo, Cartagena, Cuzco, São Francisco, Nova Iorque e outras.

*Segundo a guia, a raça de cães dálmata não tem nenhuma relação com o nome da região, apesar de isso contradizer totalmente tudo o que está na internet. Segundo eles, essa raça não é originária da Croácia.
**Na foto, as crianças estão com um chapéu típico local.

De Zagreb para Plitvice, depois seguindo para Zadar.

Ao acordar hoje às 06h da manhã e abrir a janela, a chuva era intensa e o frio já espreitava. Como me disse a guia: aqui tudo “depende”. Depende do clima, do vento Bura, de quantos turistas vão ter, etc.

LAGOS PLITVICE

O certo era que hoje não poderia estar chovendo.  Pela manhã íamos ver os Lagos de Plitvice (que ficam dentro do Parque nacional fundado em 1949 que tem o mesmo nome). Eles são uma das atrações mais belas da Croácia. Depois de duas horas de ônibus e sempre com chuva, chegamos ao parque e chuva, claro!

MAS BOTA CHUVA NISSO!
Sente o clima no video:

Pensei em desistir, mas a guia disse que não deveria, pois é imperdível. Então, compramos capas de chuva (60,00 Kunas, uns EUR 8,00) e lá fomos nós. O parque é composto por vários lagos, ficando alguns na parte alta e outras na parte baixa. E ESSA É A MAGIA DE TUDO, pois de um lago a outro, as conexões são feitas por pequenos córregos, pequenas cascatas e cataratas, chegando a 92 ao total. Diferente de Iguaçú ou Niágara, as cataratas e cascatas são pequenas, de águas impressionantemente cristalinas.

PAISAGEM BELÍSSIMA

É como entrar e viver uma pintura, viver um sonho de olhos abertos com a orquestra das águas como trilha sonora. Se vê peixes a 3, 4, 5 metros, de tão limpas que são as águas. No outono, estação que estamos agora, pude perceber o intenso do verde, mas já algumas árvores ficando avermelhadas. A intensidade da vegetação chama a atenção. Também, pudera, AQUI CHOVE QUASE TODOS OS DIAS  em função do micro clima gerado pelo excesso de água. A dica é trazer uma capa de chuva e ter roupas sobressalentes para depois.

Ao fim de 3 horas de estonteante beleza, chegamos ao fim do parque, subindo 200 degraus e almoço: SOPA QUENTE E LUGAR SECO ERA TUDO O QUE EU QUERIA!

200 KM DE ESTRADA 

Logo após o almoço, mais duas horas de ônibus até Zadar. Porém, devido ao vento Bura (que pode varrer a costa com ventos de até 200 KM por hora),  a costa croata é muitas vezes sem grande vegetação, ao contrário do interior. A autoestrada estava fechada por segurança, sabemos que ela tem muitas curvas e túneis para descer do interior, um tanto perigosa quando o vento é forte. Desta forma, pegamos estradas vicinais e pudemos ver uma Croácia rústica, simples, de vilas pequenas e  onde a guerra se faz presente até hoje, em marcas de tiro nas casas ou em fazendas abandonadas.

O PÔR DO SOL PREFERIDO DE ALFRED HITCHCOCK

Atrasados em 1 hora e 30 minutos pelo desvio que pegamos, chegamos em Zadar justo na hora para ver pôr-do-sol  que Alfred Hitchcock chamou de mais bonito do mundo quando esteve aqui, em 1960. A cidade de Zadar parece uma pequena cidade costeira da Itália. Aqui, as marcas do Império Romano e da República Veneziana estão em todos os lados.

Momento de saudação ao sol no Órgão do Mar em Zadar!

MAIS ATRAÇÕES DE ZADAR

As atrações da cidade são o centro histórico cheio de bares, lojas, restaurantes e sorveterias. O habitantes de Zadar se gabam por ter o melhor sorvete de toda a Croácia. Eu diria que o de pistache é um dos melhores do mundo. As outras duas atrações são o #ÓRGÃODOMAR,  construído em 2002, que através de ondas, gera sua música singular. Há também o monumento de saudação do sol, um círculo feito com placas solares que, à noite, faz um show de luzes através da energia armazenada do sol!

O órgão do mar está localizado na mesma área do monumento de saudação ao sol. Um passeio com duas atrações muito interessantes!
Muralha Veneziana quando a República de Veneza mandava por aqui!
Muralha iluminada!
Deus Baco do Vinho na dominação romana há 2 mil anos!

A viagem também está ficando cada vez mais etílica, pois além do vinho (alguns bons, outros mais ou menos) e da cerveja sempre boa, cada cidade tem sua bebida típica. Varazdin, licor de mel, e, agora, Zadar com o Maraskino, água ardente de cereja.

Na noite encontramos drinks tradicionais como o Maraskino, feito com água ardente de cereja!

Croácia, um destino que a cada cidade visitada oferece mais atrações e belezas. Amanhã, as atrações serão Sibenik e Trogir. Esta última cidade museu e patrimônio histórico da Unesco! Até lá!

Varazdin – A cidade dos Anjos, bicicletas e Flores – 23/09/18

Na tarde de domingo (23/09/18) fui para Varazdin, que fica a 80 KM de Zagreb. Me chamou a atenção a beleza dos bosques e a autoestrada, que é toda duplicada e cheia de túneis. A cidade, conhecida por ser a cidade dos anjos, das bicicletas e das flores, faz jus a tudo, pois em vários locais, misturada à sua célebre arquitetura barroca. Há jardins, pessoas andando de bicicletas (claro que nem de longe parece Amsterdã, até porque a cidade só tem 50 mil habitantes, e na maioria idosos) e anjos nas fachadas ou escondidos misteriosamente em estreitos espaços entre uma construção e outra.

CULTURA BARROCA

A cidade, fundada em 1188, tem como destaque as construções barrocas e o festival de música barroca que acontece dentro da Catedral nos meses de setembro.

CASTELO TRAKOSCAN

Também conferimos a Medica, que se pronuncia “meditzca” (licor de mel com 28% de álcool, amargo primeiro e doce ao final) e o Castelo Trakoscan ( muito bem preservado), que foi uma fortaleza para defender a cidade das tentativas de invasão turco-otomanas durante os séculos XV, XVI e XVII.  Mas #VOCÊSABIA que a cidade nunca foi invadida? Ela foi capital do país por um breve período no século XVII.

CIDADÃOS ORGULHOSOS DE SEU PASSADO

Centro da cidade

Cidade de passado rico e glorioso, teve seu apogeu no Sec. XVIII e XIX, quando teve seu teatro construído, antes inclusive que Zabreb, em 1873. O modo de vida desta cidade era, em seu tempo, tão cosmopolita e arrojado que se igualava a Viena, capital do Império Austro-húngaro. Hoje, é um pequena cidade pacata e de cidadãos muito orgulhosos de seu passado.

Passeio pelo Mercado e Museu de Zagreb – 23/09/18

Com um dia nublado e com temperatura amena, iniciamos nosso city tour com um guia local, que por 2 horas nos mostrou as principais atrações da cidade. Zagreb, com mais de 1000 anos de história, apresentou-se em um domingo a nós com um céu cinza e ruas vazias, pois o movimento começa depois das 11h.

E, nós, desde às 9h já caminhávamos pelo centro, admirando sua Catedral (Kaptol) –  que é a construção mais alta de toda a Croácia, com 108 metros de altura – e a  Ulica (Rua) Tkalciceva – que no dia anterior tínhamos apreciado os bares. Hoje, descobri que até o inicio do século XIX era a rua mais famosa não pelos bares, mas sim por ser a zona de prostituição da cidade, atividade considerada ilegal.

Estes túneis foram construídos para a população se proteger dos bombardeios durante a guerra de independência da Iugoslávia, em 1990.

MERCADO DOLAC

Também caminhamos pelo Mercado Dolac, que desde 1930 vende frutas, artesanato, carnes e outros produtos. Funciona das 07h às 13h todos os dias, e dá ao centro da cidade um ar tão provinciano e tão pitoresco que encanta. Ali se come figos frescos, torresmo de porco e outras iguarias. Da parte baixa formos para a parte alta da cidade.

Os shows e danças tipicas ocorrem no centro aos domingos durante todo o verão e outono.

TORRE DOS LADRÕES

Por ruelas bem fininhas e estreitas, por escadas íngremes e muralhas pichadas (pichação é um problema da cidade), chegamos à Torre dos Ladrões. Essa torre, construída durante a Idade Média e que funcionou ativamente até o século XIX, é hoje uma atração turista e lembra pontualmente a todos, exatamente às 12h com um soar de canhão de 145 decibéis, que as portas da cidade alta seriam fechadas em 5 minutos. Por isso é apelidada  de Torre dos Ladrões, pois eles ficavam de fora da cidade à noite. Custa 20 kunas para subir e ter uma vista de 360°. São mais ou menos 150 degraus.

Fomos à Igreja de São Marco, com seu telhado belissimamente ornamentado com os símbolos da Croácia.

MUSEU DA CIDADE

A poucos passos está o mais famoso Museu da Cidade – O Museu das lembranças de corações partidos. É um pequeno Museu que recebe doações de objetos de pessoas que tiveram seus corações partidos pelo fim de um relacionamento, e tal objeto simboliza isso. Custa 40 Kunas (Aproximadamente EUR 5,50) e só vale a pena entrar se você tem inglês ou croata fluente, pois tudo está nessas duas línguas, e sem entender as histórias, o museu perde o sentido.

CIDADE BAIXA E OS GRAFITES

Descendo da parte alta por uma outra escadaria, pode-se ver grafites pitorescos e bonitos. Novamente na cidade baixa, caminhei pelas ruas e avenidas, comendo um “pastel” típico local, pois mais vale ver do que sentar e comer.

A história diz que os cavalheiros presenteavam as damas com esse coração de pão de mel e açúcar (pastéis típicos) como prova do seu amor. O espelho era para as damas olharem o seu rosto; o rosto que encantava os homens.

História espalhada nas fachadas, rostos, costumes e urbanização da cidade.

Após fazer conexões em Guarulhos e Madri, cheguei a Zagreb depois de 24 horas de viagem. Eu esperava um aeroporto pequeno e velho, mas me surpreendi. O aeroporto é novo, inaugurado há 1 ano e muito moderno, mas, de fato, pequeno. Apesar disso, tem boas conectividades com voos de várias partes da Europa, além de Doha, Dubai, Seul, Istambul e outros destinos. E isso reflete também no balcão de atendimento ao turista, uma vez que as publicações estão disponíveis em vários idiomas, como macedônio, israelense, árabe, coreano, inglês, espanhol, russo, tcheco e, é claro, o português.

HISTÓRIA NAS RUAS

Do aeroporto, que está a 30 minutos do centro da cidade, fomos para o hotel. Check in feito e malas no quarto, é hora de sair e não perder tempo, pois mesmo sendo uma cidade de apenas 800 mil habitantes, há muito o que ver. Escolhi começar pelo centro antigo, óbvio. Ao caminhar pelas ruas, já tinha percebido que o “vai e vem” da história está espalhado nas fachadas, ruas, rostos, costumes e na urbanização da cidade. Confesso que do Império Otomano e Veneziano não vi nada, mas do Império Austro-húngaro e do tempo do comunismo se vê por todos os lados. Em alguns momentos, me senti caminhando por Viena ou no interior da República Tcheca, em outros, os prédios me lembravam Moscou ou as cidades que conheci durante o Grande Expresso Transiberiano, ou seja, prédios bem comunistas.

PARA TODOS OS BOLSOS E GÊNEROS

CERVEJAS E VINHOS – UM DIA PARA CADA BEBIDA

Algo que me chamou muito a atenção é a presença  de várias lojas de vinhos locais que destacam bastante a variedade das uvas típicas croatas.  Em uma loja, inclusive, a vendedora, que falava um bom inglês, me disse que há uma rota dos vinhos croatas bem próxima a Zagreb (Kraljevina e Zelina).  Com 8 dias de viagem pela frente, vou me aprofundar no conhecimento das cervejas artesanais e dos vinhos locais. Um dia para cada bebida, pois com tudo o que há para ver, não dá pra exagerar na dose.


TRANSPORTE PÚBLICO

Para retornar ao hotel, me arrisquei a voltar de transporte público local. A cidade tem um transporte público de malha pequena, não tem metrô e as linhas de bondes são poucas, mas dá para se virar bem com os mapas e perguntando, também. Nos hotéis e nas lojas do centro muita gente fala inglês, mas nos bairros mais afastados não. No caminho da linha 12 do bonde deu para ver bastante coisa, funicular para a montanha, o Museu em homenagem a Nicolau Tesla (Technical Museum), entre outras coisas. Por fim, este foi o meu primeiro dia de jornada pela Croácia.

GUIA LOCAL

Amanhã é que será realmente o dia para conhecer esta cidade, pois farei todo o trajeto com um guia local. Sou do tipo de viajante que gosta de fazer algumas coisas por conta, mas não abro mão dos serviços de guia e traslado, pois nos poupam tempo, e só com eles aprendemos realmente sobre uma cidade ou país. Vale o investimento.

Confiram abaixo os vídeos que gravei em diferentes pontos da cidade durante este primeiro dia de viagem. e até breve!

O BAIRRO MEDIEVAL DE ZAGREB

TORRE DOS LADRÕES E O CHEIRO DA PÓLVORA

DANÇAS FOLCLÓRICAS NO PASSEIO DE DOMINGO

Croácia, tô chegando!

Já faz algum tempo que estudo sobre esse país e de imediato o coloquei na minha wish list. Depois do importante destaque na Copa do Mundo da Rússia, a vontade de conhecê-lo ficou ainda mais intensa, por isso, planejei, gostei e agora chegou a hora! #PARTIUCROÁCIA

Nesta sexta-feira (21/09) embarco para uma viagem de 10 dias conhecendo as principais cidades desse destino, como Zagreb, Plitvice e seus lagos, Zadar, Split, Trogir, Sibenik, e, é claro, Dubrovnik!

Se der tempo (pois há muito o que ver e pouco tempo de viagem), pretendo, ainda, dar uma esticadinha em Kotor, na República de Montenegro – uma pequena cidade no litoral da baía de Cátaro, que vem chamando a atenção por sua beleza espetacular.  #tánoroteiro

Tá no livro de história!

A Croácia é um pais pequeno, mas de posição estratégica, que ronda as páginas dos livros de histórias de muitas formas. Primeiramente, com o nome de “Dalmácia” para os romanos, depois, como Reino dos Croatas por um breve período de independência nos anos de 925 de nossa era. Posteriormente, volta a fazer parte dos Impérios Otomano, Veneziano e Austro-húngaro.

Mais tarde, lá no século XX, após os conflitos durante a I e II Guerra Mundial, a região foi absorvida pelo então recém-criado Reino da Iugoslávia, ficando atrás da cortina de ferro comunista e escondida do mundo até o colapso da Iugoslávia no início da última década do século passado. Após 2 anos de conflitos em busca de sua independência e reconhecimento internacional, em 1992 o país alcança finalmente a sua INDEPENDÊNCIA!

De lá para cá… 1 milhão de turistas!

A região que era atrasada e subdesenvolvida virou um ponto turístico importante da Europa. Hoje, só em Dubrovnik, são mais de 1 milhão de turistas por ano, o que fez a prefeitura local criar regras e leis para conter o seu número crescente, coisa que poderia prejudicar os monumentos dessa encantadora cidade.

Cenário de Game of Thrones!

Mas, uma coisa é certa: a Croácia guarda muitas surpresas. Uma delas é que o pais é cenário da badalada série #GameofThrones. Quem passar por Dubrovnik poderá fazer um passeio específico para viver a série, além de poder ver o Órgão do Mar, o pôr-do-sol de Zadar e muito mais.

Culturas do passado!

Minha maior curiosidade não está no que as revistas de turismo falam, e sim no que esses impérios do passado deixaram para nós, e como tudo isso impacta as belezas locais. Otomanos, venezianos, húngaros, eslavos e austríacos são povos e culturas muito diferentes, e tudo isso em um território tão pequeno deve ter deixado suas marcas em cada lugar por onde irei passar.

Ficou curioso? Quer  descobrir ainda mais a Croácia?

Então, te programa para acompanhar o Day by Day dessa trip. Teremos vídeos e fotos com muitas dicas e relatos no nosso Blog, Facebook e Instagram. Quem sabe esse roteiro não acaba sendo sua próxima viagem? Já imaginou?