Kotor é a cereja do bolo!

Com o clima extraordinário que amanheceu no último dia de viagem,(28/09/2018) por que não esticar a viagem até Montenegro? Seria um dia perfeito para conhecer a tão lendária Baía de Kotor, o chamado fjord montenegrino. O famoso poeta inglês Lord Byron escreveu: “At the moment of the creation of our planet, the most beautiful merging of land and sea occurred at the Montenegrin seaside…” (“No momento da criação do nosso planeta, a mais bela fusão de terra e mar ocorreu no litoral montenegrino…), e com esta descrição em mente, cruzamos a fronteira às 8h da manhã para não pegar congestionamento e muitos turistas na fronteira.

Catedral da Cidade

Montenegro que é um dos estados/países mais jovens independentemente falando (2006) do continente, e tem como moeda o Euro, mesmo que não faça parte da “Eurolândia” e nem da Comunidade Europeia. Então, como tem Euros?! Sendo uma país tão pequeno em termos de extensão territorial e de população de menos de 700 mil habitantes, seus governantes decidiram por não ter uma moeda própria, e, assim, adotaram o Euro.

BAÍA DE KOTOR

Um belíssimo e encantador encontro do mar com as montanhas. A região parece um fjord e tem como principal ponto turístico a exuberante Ilhota da Nossa Senhora das Rochas, que tem uma história peculiar. É uma ilha artificial em que os locais todos os anos jogam pedras e afundam pequenas embarcações para que a ilha se mantenha e não afunde, nem diminua de tamanho.  A cereja do bolo é a cidade de Kotor!

Uma cidade com muralhas que não só cercam a cidade, como também circundam as montanhas. Hoje em dia, essa região vem chamando a atenção dos turistas a ponto de 600 cruzeiros atracarem na cidade por ano. O navio quase entra cidade a dentro de tão perto que atracam.

Kotor é muito parecida com Dubrovnik e Trogir, mas sua muralha é diferente e a região da Baía faz toda a diferença. Estando a 91 KM de Dubrovnik, considero que vale muito a pena investir tempo em visitar a região. Por mais que seja uma cidade amuralhada como outras do roteiro, o fato de conhecer um outro país, uma outra cultura e apreciar as paisagens da Baía de Kotor fizerem deste dia um passeio imperdível!

A dica é começar o passeio parando no parador Verige 65 na boca da Baía. A música do lugar é muito boa, muito boa mesmo! Tudo a ver com o clima do lugar. As suas “repouseiras” e o café são um convite a contemplação e admiração do lugar.

Um dilema: Subir ou não subir a montanha/muralhas externa da cidade, eis a questão. Custa EUR 8,00 e tem uma bela vista da cidade. Leva 20 minutos em uma subida íngreme e de chão pedregoso até a igreja, e 40 mim até o forte.

VINHOS LOCAIS

Os vinhos locais, para mim, foram uma atração à parte. Não sou um expert e por isso, os enólogos de plantão que me desculpem caso eu esteja dando mais crédito ao vinho do que a realidade, mas gostei muito da variedade de uvas Vranac, tipicamente local e com proteção de origem desde 1977. É um vinho leve, saboroso e com um toque único. Uma garrafa de uma boa safra custa no único minimercado de dentro da cidade EUR 9,00.

A MISTURA PERFEITA ENTRE MAR, MONTANHAS E ILHAS!

Enfim, ter viajado pela Croácia de norte a sul, Bósnia-Herzegovina e Montenegro foi, para mim, uma descoberta e a concretização do que eu imaginava. Belas paisagens, lindas cidades, mar incrível e um desejo de viver a vida a bordo de um veleiro ou em um hotel de frente para o mar. A mistura perfeita entre mar, montanhas e ilhas.  O limite entre o ocidente e o oriente incrustado no sul da Europa.

Uma concretização da ideia de que, nesta região, que tem sido passagem de impérios como os romanos, otomanos, venezianos e austro-húngaros, originou-se uma luta secular constante. PERCEBEMOS UMA IDENTIDADE PRÓPRIA E UM ESPÍRITO DE LUTAR POR SUA INDEPENDÊNCIA VIVO E MARCANTE NO OLHAR DE CADA UM!

Espero que a paz que vivemos hoje nesta região seja eterna e que as guerras vividas aqui fiquem no passado. Que sirvam de lição para todos, pois, em um mundo cada vez menor e globalizado a península balcânica é um resumo do mundo, já que aqui vivem cristãos, cristãos ortodoxos, muçulmanos e mais recentemente chineses.